
O Ser Cru -
Sangue pulsante, expulsaste tu,
A imobilidade utópica da plenitude.
Vívida correnteza da inquietude, deixaste nu
O sentimento da riqueza unificada,
Sobra-te a essência, a descontinuidade, o ser cru.
A caça pelo inaudito revela,
A estranheza de tropeçar em si,
De se despir da sombra que vela
A fim de dissecar-se com o bisturi,
E com ele findar o desarranjo ideológico
Que impera sobre o corpo e a alma
Da crueza advém beleza, ressignificância
Inventividade imbuída de sensibilidade
Crueza criadora, preenche o vazio com exuberância
Esculpe ordinariamente um ser inexato
Desequilibrado, desproporcional e desarmonizado…
Livre dos espíritos saudosistas
Num movimento síncrono das vivências
Escoa a vividez dos deslindos diários,
Do tropeço quotidiano no Eu, sem cadência…
A crueza é utópica, é idealismo aos vividos
Assim vos digo que não há, se houve,
Plena crueza no cozido cultural…
Que arrasta consigo até a mais tenra idade…
Onde é possível relativa crueza e candura pela vida
A crueza
Situa-se numa órbita sem sol. Não há lei de atração
Que indique a razão, ou a proporção… Porque não há.
Pois, a crueza em si, é a ambiguidade do todo interrompido.
Por: A.A.L
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